Objetivo
Promover uma formação integral dos participantes das oficinas de ADH nos projetos da Firjan SESI de Resp. Social, ampliando suas capacidades pessoais, sociais e profissionais. A tecnologia do ADH promove não apenas a qualificação técnica para o mercado de trabalho, mas também o desenvolvimento de competências socioemocionais, com fortalecimento da autonomia, do senso crítico e da cidadania ativa.
Problema Solucionado
A ausência de competências socioemocionais impacta diretamente a empregabilidade e o desempenho profissional. Segundo a McKinsey (2021), 40% das empresas brasileiras relatam dificuldade em contratar por falta de habilidades comportamentais, e 58% dos empregadores afirmam que as “soft skills” são hoje mais importantes do que habilidades técnicas. O Fórum Econômico Mundial (2023) estima que 44% das habilidades dos trabalhadores mudarão até 2027, destacando pensamento crítico, colaboração e resiliência como essenciais. Já estudo do SENAI (2022) indica que 68% dos jovens têm dificuldade em manter vínculos profissionais por lacunas socioemocionais, como baixa comunicação e gestão emocional. Diante disso, o ADH foi inicialmente estruturado em fortalecer competências socioemocionais, ampliando consciência sobre oportunidades e orientando o desenvolvimento de trajetórias profissionais e pessoais dos alunos participantes dos projetos que contém a tecnologia.
Descrição
O Acompanhamento para o Desenvolvimento Humano (ADH) é uma tecnologia social elaborada em 2012 e continuamente aprimorada por uma equipe técnica multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos e pedagogos e por constantes diálogos com redes (instituições parceiras, participantes, ex-participantes e comunidades). A metodologia está presente nas iniciativas da Gerência de Responsabilidade Social da Firjan SESI e é aplicada isoladamente ou em parceria com outras instituições (Firjan SENAI, empresas parceiras) em projetos sociais de formação profissional, socio esportivos, socioculturais e Desenvolvimento Humano. O ADH tem como objetivo promover o desenvolvimento de competências socioemocionais dos participantes por meio de oficinas, rodas de conversa, palestras, dinâmicas, atividades externas, integração familiar e comunitária, além do acompanhamento social sistemático dos participantes.
As oficinas e dinâmicas são baseadas em metodologias ativas, como STEAM, Design Thinking e outras igualmente inovadoras. Elas possuem uma estrutura materializada em cartilhas que contêm orientações pedagógicas detalhadas, sugestões de atividades e materiais pedagógicos criteriosamente selecionados e/ou produzidos pela equipe, o que torna a tecnologia escalonável; Já as rodas de conversa e palestras são oferecidas em dois eixos complementares: o profissional, com a participação de empresas parceiras que aproximam os alunos do mercado de trabalho; e o social, com profissionais que abordam temas relevantes à formação cidadã; As atividades culturais viabilizam visitas a museus, teatros e centros culturais, ampliando repertórios e promovendo experiências, por vezes inéditas.
O acompanhamento individual é realizado por meio de entrevistas sociais e atendimentos durante todo o projeto, possibilitando o conhecimento da trajetória dos participantes e eventuais encaminhamentos para a rede de serviços locais. Com isso, as articulações com a rede e com as famílias ocorrem de forma constante e de diferentes maneiras em cada projeto, como, por exemplo, reuniões bimensais e participação ativa nas ações públicas do território.
O ADH é estruturado em etapas interdependentes e adaptáveis, o que garante sua efetividade. O processo inicia-se na fase de formatação e planejamento das atividades, quando a equipe técnica participa da construção do projeto, adequando-o às demandas dos parceiros e do público-alvo.
Dentre as atividades de responsabilidade do ADH no projeto está a seleção dos participantes, com base, principalmente, em critérios de vulnerabilidade, garantindo equidade de acesso e oportunidade para pessoas em maior risco social. Após isso, segue-se com a aplicação do itinerário formativo customizado, estruturado em programas base de 16, 32, 60, 120, 180 e 240 horas, conforme o tempo disponível e a complexidade do projeto, abordando os seguintes temas:
Identidade: conceitos e tipos de identidade, relações interpessoais, valores individuais, éticos e sociais; Autocuidado: saúde, manejo das emoções e reflexões sobre a construção do bem-estar; Expressão e Interação Social: formas de linguagem, expressão, interação interpessoal, diálogo assertivo, ferramentas de interação digital, uso consciente de novas tecnologias, interação profissional e ferramentas de apresentação em público; Diversidade: conceito e contextualização de discriminação e preconceito, diversidade no âmbito organizacional, pluralismo cultural e social e representatividade; Responsabilidade Social: empoderamento e participação social e comunitária, desenvolvimento societário, meio ambiente, movimentos sociais, terceiro setor, responsabilidade social corporativa e modelos de negócios socialmente responsáveis; Mercado Profissional: evolução das formas e espaços de trabalho, novos negócios, identidade profissional, empreendedorismo, empregabilidade e processos seletivos; Projeto de Vida: conceito de projeto de vida pessoal, profissional e financeira, definição de objetivos e metas, gerenciamento do tempo e construção do projeto de vida profissional; Cultura de Paz: comunicação não violenta, formas de violência e bullying.
Concomitante às atividades, instrumentos de monitoramento são frequentemente aplicados para o melhor acompanhamento das turmas. A partir disso, são elaborados relatórios que registram o andamento das ações, os indicadores sociais e os resultados alcançados, servindo como instrumento de avaliação e de acompanhamento das atividades.
A metodologia utilizada contribui para que pessoas em vulnerabilidade social tenham possibilidades de mudar suas histórias, desenvolvendo competências sociais importantes para a entrada e retorno ao mercado profissional, fortalecimento de sua autonomia, aumento de sua autoestima, mobilidade social e outras competências sociais.
Recursos Necessários
Custo base para viabilizar uma turma com ADH:
Recursos humanos: 1 profissional multidisciplinar (assistente social, pedagoga(o) e psicóloga(o) para aplicação da metodologia, 2 profissionais responsáveis pelos planejamentos, acompanhamentos das equipes e repasses da metodologia, e outros 3 dedicados à curadoria de conteúdo e atividades.
Infraestrutura física: Salas mobiliadas para realização de oficinas, atendimentos individual e planejamento.
Infraestrutura digital: Computadores com licenças e internet para planejamento, compartilhamento de material, processamento de dados e repasse da metodologia para reaplicação.
Deslocamentos: Dependendo das condições (local, percurso e horário de realização), a locomoção se dá por transporte público ou, havendo necessidade, carro de aplicativo, táxi etc.
Materiais de consumo: Data show/TV, cabo HDMI, caixa de som, impressora, quadro branco, caneta para quadro, materiais de escritório de forma geral (lápis, caneta, folhas, grampeador, caneta hidrocor, lápis de cor etc).
Materiais socioeducativos: Planner com os conteúdos, planejamento das oficinas por itinerário formativo, instrumentos de monitoramento, além dos Guias da Mediadora para os projetos.
Resultados Alcançados
Desde 2019, ano em que os dados referentes ao ADH passaram a ser sistematizados, a Gerência de Responsabilidade Social da Firjan SESI já desenvolveu 118 iniciativas com a aplicação desta tecnologia, sendo 87 na área de educação, 5 na área de cultura e 7 na área de esporte. Foram 10 estados do Brasil, 44 municípios, em 4 regiões do Brasil, envolvendo diretamente e indiretamente 91 profissionais. Nesse período, estima-se que mais de 17.000 alunos tenham recebido o conteúdo dos itinerários formativos.
Os instrumentos de monitoramento e avaliação utilizados nos projetos com ADH permitem acompanhar qualitativamente e quantitativamente a evolução das turmas e a efetividade da tecnologia:
1. O formulário socioeconômico, aplicado nas primeiras oficinas, possibilita traçar o perfil dos alunos a partir de informações como faixa etária, raça/cor, identidade de gênero, orientação sexual, escolaridade, renda, objetivos pessoais e expectativas em relação aos cursos. O público-alvo dos projetos é de pessoas em situação de vulnerabilidade com características muito plurais e diversas.
2. Com as autoavaliações inicial e final, busca-se estimular nos alunos uma autopercepção conectada com os itinerários das oficinas. Ex: Consigo identificar bem minhas emoções (Autocuidado); Respeito às diferenças (Diversidade); Conheço direitos e deveres (Direitos Humanos); Sei como alcançar objetivos (Projeto de Vida). A comparação dos resultados iniciais e finais mostra a constante evolução dos alunos a partir de uma visão de si cada vez mais qualificada.
3. Já as avaliações parcial e final aferem a satisfação do participante em relação à experiência com o projeto como um todo, além da relevância dos conteúdos apresentados, aplicabilidade real dos aprendizados para o mundo do trabalho e de competências/habilidades socioemocionais, motivação para continuar realizando outros cursos, aumento da expectativa de empregabilidade e da renda após a participação no projeto etc. A imensa maioria dos alunos avaliam muito bem e sinalizam que os projetos auxiliam de maneira bastante positiva as dimensões acima citadas. Ao final, o desempenho geral é sintetizado pelo NPS (Net Promoter Score), indicador que revela a satisfação e a probabilidade de recomendação do projeto. Os projetos que possuem ADH e que contabilizam essa métrica têm, na média, um NPS de 9,65.
Público atendido
Adulto
Adolescentes
Crianças
Desempregados
Famílias de Baixa Renda
Jovens
População em Geral
Povos Indígenas
Portadores de Deficiência
Outros
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