Em Porto Alegre (RS), um projeto social tem transformado
caixas de leite descartadas em revestimentos para casas de madeira com frestas,
ajudando a reduzir a exposição de famílias ao frio, ao calor, à umidade e à
entrada de insetos. A iniciativa alia reaproveitamento de resíduos, mobilização
voluntária e melhoria das condições habitacionais, sendo reconhecida como
tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil.
Casas de madeira com frestas passaram a receber placas
produzidas a partir de embalagens longa vida reutilizadas, criando uma camada
de proteção térmica e contribuindo para o bem-estar de famílias em situação de
vulnerabilidade social.
Conduzido pela Associação Brasil Sem Frestas Porto Alegre, o
projeto foi certificado em 2026 como tecnologia social pela plataforma
Transforma!, da Fundação Banco do Brasil, que reúne iniciativas com resultados
comprovados e potencial de reaplicação em diferentes localidades.
Segundo o cadastro da tecnologia social mantido pela
Fundação Banco do Brasil, o revestimento já beneficiou mais de 286 famílias. A
proposta combina voluntariado, economia circular e melhoria das condições
internas de moradias precárias, especialmente em territórios urbanos marcados
por habitações improvisadas.
Como caixas de leite se transformam em revestimento térmico
Instaladas em áreas com frestas e aberturas, essas placas criam uma barreira entre o ambiente externo e o interior das residências, reduzindo a incidência direta de vento, umidade e variações de temperatura.
Embora não substitua reformas estruturais mais amplas, a solução contribui significativamente para o conforto de famílias que vivem em casas onde as frestas entre tábuas favorecem a perda de calor, o desconforto térmico e a entrada de insetos e pequenos animais.
De acordo com a plataforma Transforma!, a tecnologia social é aplicada principalmente em moradias improvisadas localizadas em territórios vulneráveis, onde as condições das paredes impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde dos moradores.
O processo utiliza um material comum no dia a dia: as embalagens longa vida. Após serem arrecadadas, triadas, higienizadas, cortadas e costuradas, elas são transformadas em placas térmicas que revestem paredes de madeira.
Iniciativa ganhou força durante a pandemia
A mobilização surgiu a partir da atuação de voluntários sensibilizados pela
realidade de famílias que viviam em casas de madeira sem proteção adequada
contra frio, chuva, calor e insetos.
Com o crescimento da iniciativa, foram organizados pontos de coleta de
embalagens, estabelecidas etapas padronizadas para a fabricação das placas e
promovidos mutirões para a instalação dos revestimentos nas residências
selecionadas.
Escolas, empresas, condomínios, prefeituras e moradores colaboram com a
arrecadação de embalagens longa vida, enquanto voluntários ficam responsáveis
pela preparação do material e pela instalação nas comunidades atendidas.
Indicadores demonstram o alcance do projeto
A plataforma também registra a participação de 154 voluntários ativos, 63
associados e 18 colaboradores recorrentes, evidenciando a dimensão comunitária
de uma ação que depende da mobilização social e do trabalho voluntário.
Há, contudo, uma pequena divergência nos números informados na própria página
da tecnologia social. Enquanto o resumo menciona mais de 286 famílias
beneficiadas, a seção de resultados registra 283 casas revestidas. Por essa
razão, a referência mais segura é utilizar o dado de mais de 286 famílias
beneficiadas, conforme consta no cadastro principal divulgado pela Fundação
Banco do Brasil.
Além disso, o projeto já destinou 6.485,99 quilos de tampinhas para reciclagem,
ampliando seus impactos ambientais positivos para além do reaproveitamento das
embalagens longa vida.
Inspirada em um projeto criado em 2009, em Passo Fundo (RS),
a Associação Brasil Sem Frestas Porto Alegre iniciou suas atividades em 2021 e
passou a se estruturar formalmente como organização em 2023. Dados registrados pela Fundação Banco do Brasil apontam que
a iniciativa já resultou no revestimento de 286 casas, beneficiando cerca de
1.300 pessoas e reaproveitando mais de 346 mil embalagens longa vida em Porto
Alegre.
Avaliação técnica orienta as intervenções
Antes da instalação das placas, equipes de voluntários realizam visitas
técnicas para avaliar as condições estruturais das moradias, a situação das
famílias e o grau de urgência de cada intervenção.
Com base nesse diagnóstico, são organizados mutirões para a aplicação dos
revestimentos e o acompanhamento dos resultados obtidos. O processo inclui
registros das condições das residências antes e depois da intervenção.
Segundo a Fundação Banco do Brasil, o acompanhamento também contempla a escuta
das famílias e visitas posteriores para verificar a conservação do revestimento
e os benefícios percebidos pelos moradores.
Entre os resultados relatados estão a melhora do conforto térmico, a redução de
problemas respiratórios e alergias, o aumento da sensação de segurança e a
valorização emocional do ambiente doméstico.
Educação ambiental e moradia caminham juntas
Além da instalação das placas, o projeto promove campanhas de conscientização
ambiental, palestras sobre consumo responsável e atividades educativas
realizadas em parceria com escolas e organizações.
A iniciativa conecta o descarte adequado de embalagens a uma solução prática
para famílias que vivem em moradias com pouca proteção, aproximando educação
ambiental, inclusão social e melhoria das condições habitacionais.
Classificada pela Fundação Banco do Brasil nas áreas de meio ambiente e saúde,
a tecnologia social contribui para reduzir o volume de resíduos destinados ao
descarte e para tornar os ambientes internos mais protegidos e confortáveis.
Para garantir a qualidade das instalações, o processo exige embalagens em boas
condições, higienização adequada, cortes padronizados, costuras resistentes e
planejamento prévio dos mutirões.
O público atendido inclui famílias de baixa renda, crianças, idosos, mulheres,
gestantes, afrodescendentes, povos indígenas e demais grupos em situação de
vulnerabilidade, conforme a descrição da tecnologia social na plataforma
Transforma!.
Em locais onde frestas permitiam a entrada constante de vento, chuva e
variações de temperatura, embalagens longa vida ganham uma nova função após
serem descartadas, lavadas, cortadas e costuradas. O resultado é uma solução
simples, de baixo custo e baseada no trabalho voluntário, criada para ampliar a
proteção e a qualidade de vida de famílias que ainda vivem em moradias de
madeira com pouca proteção.
Para conhecer mais detalhes sobre essa Tecnologia Social, clique e acesse
a Plataforma
Transforma!
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